12 dicas para um cuidado eficiente do solo

Pare e pense: a natureza leva 400 anos para formar um único centímetro de solo fértil e a gente o deixa descoberto, sem proteção, sujeito a inundações e escoamentos. Plantamos, sim, mas nem sempre cuidamos da base da vida. Então, mãos a terra!

Veja as dicas escolhidas a dedo para você melhorar as condições de solo (e plantas) com sabedoria e entendimento.

1- Jamais deixar o solo descoberto
Isso mesmo! Para ser realmente sadia a nossa terra precisa ser fresca, com um teor de umidade que deixa aquele cheirinho de terra boa. E, para manter o solo úmido, só cobrindo com bastante cobertura vegetal. O solo não deveria ver o sol, apenas senti-lo.

2- Pontos a favor do solo coberto
Por ser mais permeável permite maior infiltração e retenção de água. Diminui o impacto das chuvas e das adversidades climáticas. Diminui a erosão evitando o assoreamento e a contaminação das nascentes. Permite diminuir gastos com irrigação e adubação. Diminui os efeitos da estiagem. Mantém a matéria orgânica sempre viva e ativa. Mantém a umidade do solo e evita a compactação. Diminui a temperatura do solo nas horas mais quentes do dia. Retém o calor residual nas horas mais frias. Fortalece o solo e as plantas diminuindo a incidência de pragas e doenças.

3- Qual material utilizar?
Capim ou palha seca (5 a 10cm de espessura), bagaço de cana-de-açúcar, casca de arroz, a palha do cultivo do feijão e do milho, aparas de grama decomposta, pó fino de serragem, folhas secas e o próprio mato decomposto e seco (as plantas que nascem espontaneamente são excelentes. Além da biomassa que geram, promovem a chamada aração biológica que traz como efeito uma melhor estruturação da terra. Para isso, precisam ser cortadas e deixadas no lugar onde vivem).

4- Plantar diversificado
A biodiversidade protege e cura porque a vida é troca. Na variedade de plantas existem árvores, arbustos, ervas e capins, cada espécie com um tipo de tronco, folha e raiz. Com essa mistura, as plantas interagem e trocam entre si substâncias químicas que as protegem e renovam o próprio solo deixando-o mais nutrido e arejado, respirando melhor.

5- Plantar árvores
Solo desmatado e cuidado com produtos químicos se torna empobrecido de importantes minerais. E essa carência vem parar nas nossas mesas. Como reverter esse quadro? Para manter a saúde da terra, é fundamental a presença das árvores, afirmam os estudiosos. Isso porque só elas mobilizam minerais do subsolo por meio de suas potentes raízes, tornando-os disponíveis em forma de folhas e frutos que caem na terra, alimentando microrganismos e gerando matéria orgânica que retém umidade e disponibiliza ainda mais nutrientes.

6- As árvores não atrapalham os espaços cultiváveis?
Ana Primavesi, engenheira agrônoma de renome internacional, afirma que não, ao contrário, pois a recuperação do solo não depende de utilizar veneno ou plantar organicamente. Depende do que fizermos para recuperá-lo. Por exemplo, de quantas árvores vamos plantar e quantas vamos manter para dar condições de regeneração aos solos exauridos ou sem cuidados. “Metade do território brasileiro arborizado não iria baixar nem um pouco a produção. O que você faz com o solo, você colhe depois. A questão é: eu gostaria dessa condição árida e ressecada? Não. Então a plantação também não vai gostar. Solos carentes geram plantas, animais e seres humanos carentes ou até doentes”, afirma a cientista.

7-Sementes que auxiliam

Outra maneira de melhorar a qualidade do solo é utilizar duas vezes ao ano – no outono e na primavera – o método de adubação verde que consiste em semear algumas sementes que ao germinarem produzirão plantas que ajudam a fixar o nitrogênio, são ricas em proteínas e produzem massa verde para cobrir o solo (no caso de jardins, semeie nos pontos que estejam vazios). Esses tipos de sementes além de revitalizarem a terra, se transformam em plantinhas muito ornamentas e protetoras dos exemplares já existentes. Como fazer? Escolha um só tipo de semente ou misture-as em um “coquetel de amizade”. Semeie a lanço, cobrindo-as com uma leve camada de terra, ou semeie em sulcos paralelos e ordenados. Ao final do ciclo vegetativo, colha as sementes para a próxima estação e incorpore a planta-mãe no solo ou deixe-a como cobertura.

8-Adubação verde: alguns exemplos

Para a primavera: feijão-de-porco, crotalária, feijão guandu, milheto e trigo sarraceno ou mourisco (atrai insetos polinizadores). Para o outono: o pivotante nabo forrageiro, ervilhaca, aveia preta e azevém.
ATENÇÃO: Impróprio para consumo humano e animal: feijão-de-porco e crotalária. Próprio para consumo animal: ervilhaca, azevém, aveia preta, nabo forrageiro, milheto. Próprio para consumo humano: feijão guandu, trigo sarraceno (mourisco), milheto.

9-Quais são os elementos mais relevantes para o solo?

Nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), os três elementos básicos (não únicos) para um solo sadio. Essa sigla – NPK- não é sinônimo de adubo químico e suas fontes naturais estão presentes em muitos adubos conhecidos e fáceis de encontrar no mercado. Mas, ao utilizá-los lembre-se da meta já comentada: cobrir esse solo adubado para que os insumos naturais não se percam com a ação do clima, e tragam melhores condições para que a vida microbiana seja resgatada resultando em melhor estrutura, descompactação e aeração para as raízes.

10-Onde encontrar esses elementos de forma natural, orgânica?

Nitrogênio: força para as folhagens e aumento do teor verde das plantas. Fonte natural: húmus de minhoca; esterco curtido de curral ou de galinha; composto orgânico; torta de mamona. Modo de usar: 20 litros por m2 de canteiro. Para o esterco de galinha, 200g/m2. No caso da torta de mamona, 50g por m2. Quem tem animais deve ter cuidado com o uso da torta de mamona. Ela pode ser ingerida por eles e não faz bem.
Fósforo: o elemento amigo das flores. Aumenta sua produtividade e durabilidade. Fonte natural: pó de rocha, pó de brita, termo fosfato, farinha de ossos e outros fosfatos naturais encontrados no mercado. Modo de usar: seguir a orientação do fabricante. Uma única aplicação desse insumo pode acertar a carência por fósforo. Depois é manter o solo bem coberto para que ele mesmo o “fabrique” e o mantenha disponível para as plantas. Obs: Outra fonte de fósforo são as folhas das palmeiras que podem ser picadas e espalhadas nos vasos e canteiros.

Potássio: confere força aos tecidos dos vegetais deixando as plantas mais rijas. Também fortalece a imunidade, protegendo do ataque de pragas e doenças. Fonte natural: cinzas de madeira obtidas da queima de lenha. Uma pizzaria ou padaria pode fornecer o material já limpo. Cinzas obtidas em churrascarias não devem ser usadas por conterem sal. Importante: as cinzas de madeira também são fonte de cálcio e magnésio. Modo de usar: não há uma medida certa. Moderadamente espalhe as cinzas por toda a superfície do solo. Obs: As folhas da mamona são riquíssimas em potássio podendo ser utilizadas como cobertura no plantio em geral.

11-Esses 3 elementos seriam os únicos de que o solo e as plantas precisam?

Esses elementos são chamados de macronutrientes, mas não são os únicos que o solo precisa… O cálcio, o magnésio, o enxofre e todos os chamados micronutrientes como o ferro (Fe), boro (B), zinco (Zn), cobre (Cu), molibdênio (Mo), cloro (Cl), manganês (Mn), etc. também são fundamentais, pois tudo funciona em conjunto. Porém, nenhum desses elementos pode ser disponibilizado de forma plena para solo e plantas, sem a presença da matéria orgânica que é o alimento dos micro-organismos.
Na verdade, são eles que determinam a real saúde da terra.

12- Trazer para o solo a eficiência dos microrganismos

Então, adubar o solo é essencial e cobri-lo, protege-lo, mais ainda…, mas isso pode não ser suficiente se o seu solo tiver carência da presença em massa dos microrganismos. São eles que trazem a vida de volta para a terra, deixando-a parecida com o solo das grandes florestas, onde ninguém aduba ou rega e as plantas são sempre belas, fortes e sadias. O segredo aí é a transformação da matéria orgânica em alimento disponível para as plantas, potencializando os minerais, o que só os microrganismos podem fazer. Esses “seres auxiliares” e invisíveis a olho nu, são os maiores recicladores de nutrientes essenciais e, na mata, existem de forma inumerável… a boa notícia é que você pode trazer alguns bilhões deles para a sua terra. Procure se informar sobre a técnica do EM (Efficient microorganisms) e aprenda a fazer a captação e a coleta.

Por: Cynthia de Oliveira Frank

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