18 de fevereiro de 2026

Quem alimenta as plantas da floresta?

Mesmo sem nenhuma interferência humana, tudo cresce perfeitamente e em abundância.

Árvores frondosas, plantas exuberantes, biodiversidade em alta, zero pragas e doenças, saúde vegetal plena. Você já se perguntou como isso acontece dentro das matas sem que ninguém interfira? Ninguém?

Cada centímetro de solo dentro de uma floresta, chega a ter 20 milhões de serezinhos invisíveis entre fungos, bactérias, etc. que são os supermicrorganismos. Mas, eles não precisam fazer seu trabalho de forma exclusiva apenas dentro de matas fechadas. Onde quer que haja matéria orgânica da boa, os microrganismos podem e devem estar presentes e fazer seu trabalho gratuitamente. Agora, se eu vivo arando a terra, deixando o solo duro, compactado, retirando as árvores, e toda a matéria orgânica para implantar uma única cultura de plantas ou para deixar a terra despida ao sol aguardando um plantio sabe quando, esses seres auxiliares vão morrendo, colônias inteiras de auxílio ao solo desaparecem e eu fico só com os minerais que não podem atuar bem nas plantas, pois sem matéria orgânica em processamento não há liberação de nutrientes.
Essa função de transformar a matéria orgânica em alimento disponível para as plantas, potencializando os minerais, é exatamente a especialidade dos microrganismos.

E, se eu estiver com o solo degradado, teria como pedir ajuda da mata para introduzir esses organismos benéficos no solo da minha plantação exaurida?

Sim! A natureza é generosa e inspirou o homem a fazer uma espécie de captação dos microrganismos da mata por meio de uma coleta simples que pode ser altamente eficaz.

 

  1. Fazendo o chamado aos microrganismos eficientes, conhecidos como “EM” (Efficient Microorganism).

Providencio de 500 a 700g de arroz branco, não parabolizado, e cozinho sem sal em água sem cloro, deixando num ponto onde fique bem cozido, mas ligeiramente úmido.

Coloco esse arroz em um pratinho, bandeja ou cesta aberta dentro de uma caixa de plástico bem arejada, tipo engradado de coleta de verduras e legumes. Coloco uma tela no fundo da caixa (bem pregada) e uma tela por cima, pegando também as laterais (prenda tudo com arame). O objetivo é deixar o recipiente com bastante ar, mas sem brechas para entrar insetos e outros comilões que podem contaminar o arroz e estragar a comida dos microrganismos.

Todo esse manejo, desde a confecção do arroz, passando pelos recipientes, a caixa, as telas, arames, tudo precisa ser bem lavado e desinfetado com limão e vinagre ou com álcool a 70%. Inclusive o manejo do arroz deve ser com as mãos bem limpas.

Tudo OK, leve o arroz para dentro de uma mata com bastante biodiversidade, de preferência dentro da sua propriedade (para coletar os microrganismos do seu ecossistema). Mas, se não for possível, peça a um vizinho ou alguém conhecido para deixar essa “isca” em sua propriedade por cerca de 10 a 15 dias.  Também é possível fazer uma coleta coletiva, colocando várias caixas em pontos diferentes e depois juntar as amostras.  O importante é que esse experimento fique em contato com o solo, perto de árvores onde haja farta matéria orgânica (folhas, musgos, líquens, etc.). Alí, coloco minha caixa e cubro-a com muitas folhas para ficar bem escondidinha, oferecendo a mesma condição da floresta. Se nesse período não chover, preciso acompanhar e ver se em volta do local da caixa está muito seco. Se estiver, rego para manter a umidade, mas nunca devo molhar em
cima dessa caixa.

(Detalhe: se eu não tiver água sem cloro para a confecção do arroz e para o acompanhamento do processo, posso deixar a água comum de cidade, exposta ao sol por 24h para esse cloro evaporar).

 

  1. Em contato com os microrganismos coletados da floresta

Após um período de cerca de 10 dias, vou abrir a caixa. Quanto mais colorido estiver o arroz, melhor! Só que esse colorido precisa ser nas cores amarelo, azul, rosa ou mesmo ter aquele aspecto de “algodão” branco. Essas cores e formas são sinal de que captei microrganismos benéficos e não patogênicos. Esses sinalizam sua presença em cores escuras. Se aparecerem em grande quantidade, significa que sua experiência deu errado, e tudo bem, pode acontecer. Nesse caso, devolva esses microrganismos não-benéficos para o solo da mata para que possam exercer outras funções.

Se o experimento der certo, vou novamente limpar/esterilizar as mãos e todo material subsequente.

 

  1. Fazendo crescer a comunidade microbiana

Distribuo o arroz em mais ou menos 5 garrafas plásticas de 2lts (bem limpinhas) e coloco 200 ml de melaço (ou caldo de cana) em cada garrafa. Completo com água sem cloro ou água de arroz, deixando um espacinho para a fermentação. Fecho e deixo à sombra em local fresco, seco e ventilado por 10 a 20 dias. Diariamente, vou precisar abrir a garrafinha lentamente para deixar o gás sair, pois a fermentação, para esse caso, é anaeróbica (sem ar). O processo estará pronto quando não houver mais produção de gases na garrafa (sem bolhas). Depois desse processo você pode coar o líquido e utiliza-lo em pulverizadores Trapp.

A cor do EM fica, então, alaranjada, com cheiro doce e agradável e pode ficar armazenado em local apropriado (fresco, escurinho, sem umidade) por cerca de 6 meses.

(ATENÇÃO: se o seu EM exalar mau cheiro não deve ser utilizado. Significa que entraram aí microrganismos degenerativos. Por isso a necessidade de limpeza dos materiais usados e das próprias mãos é tão importante).

Lembre-se de que estamos gerando um campo de energia para a multiplicação de milhões de “seres auxiliares”, que vão transformar matéria orgânica em comida para as plantas… Um trabalho gratuito da natureza que vai ajudar a manter o solo vivo para as futuras gerações.

 

  1. Uso na prática

Posso usar o EM de várias formas, sendo as mais comuns à do EM SOLO e a do EM PLANTA.

EM SOLO: diluir 1 colher de chá (5ml) do EM em 5 litros de água ou de forma proporcional (escala 1:1000). Esse EM é utilizado na pulverização da terra como ativador da decomposição de matéria orgânica. Para isso, cubra o solo com produtos naturais de origem vegetal (folhas, adubação verde, capim picado, restos de cultura, etc.) e esterco e/ou cama de galinha. Pulverize essa cobertura com a solução e após a aplicação, aumente um pouco a cobertura dos novos canteiros com capim; é importante manter o solo sempre úmido, sem encharcar. Aguarde de 7 a 10 dias para semear ou transplantar mudas.

Faça essa aplicação a cada 4 semanas, durante 4 a 6 meses. Depois vá espaçando para de 3 em 3 meses.

EM PLANTA: nesse caso, a pulverização deve ser feita nas folhas ou em toda a planta. Para isso, adicione em 5 litros de EM SOLO, 5 colheres de chá (25ml) de vinagre de origem vegetal (de maçã, arroz, vinho ou álcool) ou proporcional (escala 1:200).

Esse EM pode ser aplicado logo após a germinação das plantinhas ou em culturas já desenvolvidas. A aplicação pode ser semanal até suas plantas mostrarem uma “melhora”. Depois vá espaçando para quinzenal e mensal. No primeiro ano de tratamento, a aplicação é sempre mais frequente, depois vá espaçando.

Essas aplicações apresentam um único problema: provavelmente, você nunca mais vai querer parar…

Observação importante, a colher caso utilizada não deve ser retornada para o consumo, ela deve ser descartada ou guardada para futuras misturas.

 

CUIDADOS

  • Guarde o EM em local seco, ventilado e à sombra.
  • Utilize-o no mesmo dia do preparo (diluição).
  • Nunca pulverize sob sol forte, mas sempre bem cedo ou no final da tarde.
  • Se, por acaso, a aplicação queimar um pouco as folhas, diminua a concentração.
  • O regador ou pulverizador deve ser exclusivo para o EM.
  • Não usar enxada ou enxadão para mexer a terra onde foi pulverizado o EM. Apenas cubra.

 

 

BENEFÍCIOS

O EM melhora o metabolismo das plantas e sua capacidade de fazer fotossíntese.

  • Ativa o crescimento das raízes.
  • Aumenta o índice de germinação.
  • Melhora o florescimento e a frutificação.
  • Aumenta o teor de proteínas nas plantas.
  • Aumenta a resistência / imunidade.
  • Aumenta a produtividade.

Apesar de minúsculos, os microrganismos do EM captam energia solar, podem produzir hormônios, vitaminas, melhorando não só as propriedades físicas do solo e das plantas, como suas propriedades químicas e biológicas.

Esses auxiliares são altamente regenerativos e nada degenerativos. E, sendo “bem tratados”, reproduzem-se aos bilhões!

Por:  Cynthia de Oliveira Frank

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Agora que você desvendou o segredo de como a floresta se nutre, que tal replicar essa sabedoria no seu quintal? O processo exige paciência, mas a recompensa de ver suas plantas mais fortes, produtivas e livres de pragas vale cada etapa.

Comece seu experimento com a isca de arroz hoje mesmo! E lembre-se: estamos ansiosos para saber se você conseguiu capturar os fungos coloridos da sua região. Se tiver dúvidas ou quiser mostrar o resultado da sua ‘caça aos microrganismos’, poste uma foto e marque a gente no Instagram ou use a #ClubeDaJardinagemTrapp. Vamos adorar ver a vida microscópica transformando o seu jardim!

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Sobre a Trapp: A Trapp foi fundada em agosto de 1950 na cidade de Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Essa empresa 100% brasileira é a fabricante da mais completa linha de ferramentas e máquinas para jardinagem, trituradores de galhos e resíduos orgânicos, além de trituradores para ração animal.

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