Wednesday April 8th, 2026

Moringa: a árvore que é um presente.

Águas barrentas? Deixe que ela limpa. Carência de vitamina A e de outros minerais e proteínas? Deixe que ela supre. Seca, terrenos não muito férteis? Deixe que ela se adapta… ela é a moringa, também conhecida como a árvore da vida.

Ela é de pequeno porte, meio magrinha, tem ares de humildade e é muito conhecida no Nordeste como lírio-branco, pois fica repleta de flores perfumadas boa parte do ano. Além de ter a especial qualidade de ser purificadora das águas, suas folhas, frutos e sementes e até as raízes podem ser usados na alimentação. As folhas, especialmente, são muito nutritivas com a maior concentração de vitamina A que se conhece a partir de um vegetal.
A divulgação da moringa como hortaliça, aconteceu há alguns anos, graças aos esforços de cientistas renomados que, além de terem realizado experimentos com a espécie, foram seus divulgadores distribuindo milhares de sementes da planta pelo mundo afora.
Na Ásia e na África, a utilização da moringa como alimento é bastante antiga. As receitas são inúmeras: molho de folhas de moringa para o arroz, flores fritas em óleo de coco e imersas no leite de coco para serem agregadas ao arroz ou ao milho, purê das folhas novas para alimentar crianças, folhas temperadas e cozidas misturadas com batata e tomate, farinha das folhas secas…
Resumindo, estamos falando de uma alternativa alimentar estratégica, pois a moringa é perene, resistente às secas, pouco exigente quanto a qualidade do solo e de alta imunidade. Sem falar que a vitamina A é uma das maiores carências nutricionais dos brasileiros e a moringa a supre de forma eficientíssima.

Purificadora das águas
Quando maceradas e misturadas à água barrenta, as sementes da moringa atraem as partículas de barro, decantam a sujeira e matam micro-organismos indesejáveis e patogênicos.
Para obter esse resultado, descasque de uma a três sementes para cada litro de água barrenta, amasse-as com um pilão, e misture-as em água limpa, que será coada. O líquido resultante chamado “leite de moringa”, devido à cor branca, será adicionado à água que se deseja purificar. Após a mistura, mexe-se com força por um minuto e lentamente por mais 5 minutos. A partir daí o barro começa a decantar. Para utilizar a água, separe-a do barro, com cuidado para não balançar o recipiente e trazer a sujeira de volta.

POR DENTRO DA FICHA
® Família: Moringácea (que tem entre 8 e 14 espécies)
® Gênero-espécie: Moringa oleífera, a espécie que tem mais vitamina A. Existe também a Moringa stenopetala semelhante a oleífera, sendo mais bonita e com folhas mais palatáveis, porém, com menos vitamina A.
® Nomes populares: lírio-branco ou quiabo de quina.
® Características e porte: planta perene com cerca de 10m de altura.
® Flores perfumadas de cor branca ou bege (em locais onde chove bastante, está sempre florida).
® Frutos: uma vagem com 3 faces.
® Sementes: em grande número por fruto.
® Ocorrência: a espécie oleífera é nativa da Índia e a stenopetala, da Etiópia e do Quênia. Atualmente, pode ser encontrada em todas as regiões subtropicais do mundo.

VALOR NUTRITIVO
100 gramas de folhinhas maduras da moringa contêm 23 mil UI de vitamina A, o maior índice dentre os vegetais comestíveis. Para se ter uma ideia, o brócolis contém 5 mil UI e a cenoura, 3.700.
As folhas da moringa também são boa fonte de fósforo, cálcio, ferro e vitamina C, contendo cerca de 27% de proteínas.
E basta ingerir uma pequena quantidade de folhas, 2 a 3 X na semana, em qualquer refeição ou salada.
As folhas secas ao sol servem para produzir farinhas alimentícias que podem ser adicionadas às refeições, pães, biscoitos, massas, e quaisquer outro produto alimentício.
Das vagens verdes fazem-se conservas ou sementes aperitivas com sabor próximo ao do aspargo.
As sementes maduras contêm 40% de óleo comestível similar ao azeite de oliva e também servem para fazer sabonetes e pomadas medicinais e fixar fragrâncias florais. Após a extração do óleo, o próprio bagaço das sementes pode ser usado para purificar até 99% da água, inclusive de bactérias e vírus.
Tanto as sementes como as folhas ou bagaço podem ainda ser utilizados como fertilizante do solo pobre e na alimentação de animais.

USO MEDICINAL: folhas e sementes possuem propriedades antibacterianas. A vitamina A associada a outras vitaminas, combate os radicais livres que prejudicam as células provocando envelhecimento.
Os usos mais específicos da moringa são para doenças de pele, sistema digestivo, visão e doenças articulares.

PLANTIO
As moringas gostam de sol e são pouco exigentes quanto ao solo, porém não resistem a alagamentos e a solos compactados. Podem ser plantadas por sementes ou estacas. Se optar pelas sementes, antes de plantar, desperte-as, deixando-as de molho em água por 8 horas antes da semeadura. Após, seu crescimento pode atingir 40 cm em 45 dias e, aos dois meses já podem ir para o campo. Algumas experiências no entanto, mostraram que é melhor plantar as sementes de moringa direto no canteiro, em seu local definitivo, do que fazer mudas em saquinhos e outros recipientes. Aí, vale fazer a própria experiência e avaliar, lembrando que as sementes mais indicadas ao plantio são as mais escuras. Semeie a uma profundidade de 3 a 5 cm e regue diariamente com pouca água enquanto a semente germina.
Também pode-se obter mudas a partir de galhos de plantas adultas.
Tanto no caso da semeadura direta no solo, como por transplante, a moringa pode ser plantada de 3 em 3 metros para se obter árvores grandes para produção de vagens e sementes, ou plantadas a cada 20 cm para produzir folhas.
A moringa gosta de água, mas resiste a secas. Cresce cerca de 3 a 4 m em 1 ano, e de 10 a 12 m em 4 anos.
Em torno de um ano, a jovem árvore já começa a frutificar timidamente. Com dois anos de idade, sua produção de frutos é plena.
Para facilitar a colheita das folhas, pode-se ir podando para a planta ficar na altura desejada (em geral suas folhas rebrotam vigorosamente).
Toda moringa tem raiz pivotante (cresce reta para baixo) e não danifica pisos ou calçadas.
Em regiões muito secas, perde as folhas nos meses de estiagem. Mas, se for irrigada, mantém a folhagem o ano todo.
A árvore é muito ornamental e pode ser utilizada inclusive com cerca-viva.

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